Osteoporose

Publicado em 23 de fevereiro de 2013 | Deixar um comentário

Osteoporose não está ligada somente ao envelhecimento; saiba como evitar a doença

 

Caracterizada pela degradação e redução da estrutura óssea, a osteoporose está atrelada a uma série de fatores e não apenas à hereditariedade, ao envelhecimento e à perda natural das células que formam o esqueleto. O estilo de vida adotado na adolescência e na fase adulta também tem importância fundamental, pois pode tanto propiciar como prevenir ou retardar o aparecimento da doença, que já atinge 10 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.

 

Texto: Marina Kuzuyabu

 

Isso acontece porque o pico de formação dos ossos é atingido entre a adolescência e os 35 anos de idade, como explica o ortopedista Fernando Moisés José Pedro, gerente-médico do Hospital Alvorada. Por esse motivo, a constituição de uma estrutura forte nessa fase é essencial para sua adequada manutenção no futuro. “Um aumento de 10% no índice de massa óssea nos jovens diminui em 50% o risco de fratura por osteoporose na vida adulta”, declara.

O reumatologista Roberto Heymann, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que para conquistar um esqueleto “reforçado”, o tabagismo e a ingestão excessiva de café e bebidas alcoólicas devem ser evitados ou mesmo eliminados. O sedentarismo, o consumo insuficiente de alimentos fontes de cálcio e vitamina D e a baixa exposição solar são outros hábitos de risco.

Influências hormonais

As mulheres devem ter uma preocupação ainda maior, pois constituem as vítimas mais numerosas da doença. “A osteoporose é mais comum no sexo feminino por dois motivos: entre elas, os ossos são mais leves e finos. Além disso, na menopausa ocorre uma deficiência do hormônio estrogênio, que tem influência direta nas células ósseas”, esclarece Pedro.

Heymann acrescenta que 30% das mulheres saudáveis desenvolvem o problema ao cessarem seus ciclos menstruais. Aquelas que foram submetidas à cirurgia de remoção de ovários e não fizeram reposição de estrógenos e as que iniciaram tardiamente seus ciclos menstruais também são alvos da doença, segundo o especialista.

A osteoporose também atinge o sexo masculino, embora numa proporção menor. O gerente-médico do Hospital Alvorada explica que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acima dos 50 anos, 30% das mulheres são acometidas pela doença, enquanto entre os homens a proporção é de 10%.

Eles são menos suscetíveis por terem ossos mais fortes e largos, mas a combinação da perda de elementos minerais com a baixa produção de testosterona, a manutenção de hábitos não saudáveis e a presença de antecedentes na família com a doença pode acelerar a deterioração da massa óssea.

Doenças preexistentes

Além dos fatores mencionados acima, o problema pode se manifestar como consequência de outras doenças, como informa Heymann. Hiperparatireoidismo, linfoma, leucemia, mieloma múltiplo, artrite reumatoide, sarcoidose e doença de Cushing são alguns exemplos desses casos.

Alguns medicamentos utilizados por longo prazo podem ter o mesmo efeito. “A National Osteoporosis Foundation (instituição norte-americana dedicada à prevenção da doença) cita entre os fatores de risco o uso de glicocorticoides via oral, um grupo de fármacos utilizados como imunossupressores e anti-inflamatórios”, pontua Pedro.

Diagnóstico precoce

A densitometria óssea é o método mais indicado para diagnosticar a doença, inclusive precocemente. “O exame deve ser feito por mulheres que estão entrando na fase de menopausa, homens acima de 65 anos e indivíduos de qualquer idade expostos aos fatores de risco”, esclarece o especialista da Unifesp.

Sua realização é fundamental, pois a patologia é assintomática. Ou seja, não há qualquer indício que aponte sua existência além da ocorrência das próprias fraturas, sua principal consequência. “Elas podem ocorrer por traumas mínimos ou mesmo sem relação a trauma algum”, fala o reumatologista. Redução de altura e aumento da curvatura dorsal (corcunda) são outros indícios importantes.

Entre as fraturas mais frequentes, Heymann menciona as das vértebras das colunas dorsal e lombar, a do colo do fêmur e a do antebraço. “A do fêmur é a mais grave, pois além de causar dor intensa, demanda um procedimento cirúrgico para colocação de prótese”, esclarece.

Os tratamentos baseiam-se na prescrição de medicamentos para aumentar a resistência dos ossos sem, no entanto, recuperar a massa óssea perdida ou curar a doença. “Independente do tratamento medicamentoso escolhido, todos os portadores devem ter uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D”, reforça.

Alerta constante

“Por terem ossos mais frágeis, os pacientes com osteoporose precisam evitar quedas a todo custo. Elas constituem a principal causa de morte acidental entre os indivíduos com mais de 65 anos de idade”, alerta o especialista do Hospital Alvorada.

Em função disso, algumas adaptações no ambiente doméstico são altamente recomendadas. Reforço na iluminação e instalação de pisos antiderrapantes, barras de apoio nos banheiros e corrimão nas escadas são algumas sugestões. “O ideal é que a pessoa também tenha um quarto para dormir próximo ao banheiro”, acrescenta Pedro.

“Também é recomendável realizar visitas regulares ao médico para ajuste das doses dos medicamentos, principalmente aqueles que podem causar diminuição do nível de consciência, como os anti-hipertensivos e hipoglicemiantes orais”, completa.

Prevenção e contenção

O cálcio é o principal elemento para prevenir e conter o desgaste da massa óssea. A nutricionista Marisa Chiconelli Bailer, do Hospital Samaritano, informa que a recomendação diária do nutriente é de 1.200 mg ou 1.500 mg no caso de mulheres na menopausa.

Em termos práticos, o valor pode ser alcançado com o consumo de um copo de 200 ml de leite (integral ou desnatado) e duas fatias de queijo branco no café da manhã, um pote de iogurte de 200 ml e uma porção de requeijão no lanche da tarde e mais um copo de leite de 200 ml à noite. Quem sofre com intolerância à lactose pode recorrer a outros alimentos fontes do nutriente como espinafre, couve-manteiga, escarola, agrião, brócolis, sardinha e leite de soja enriquecido.

Uma adequada ingestão de vitamina D também é importante, pois melhora o aproveitamento do cálcio no organismo. Ela pode ser encontrada, por exemplo, em ovos, peixes, ostras e óleo de fígado de peixe. Contudo, sem exposição solar, a vitamina não pode ser sintetizada. Ou seja, é preciso incluir nas recomendações banhos de sol de pelo menos 15 minutos por dia. Em alguns casos, os médicos podem ainda prescrever suplementos vitamínicos, segundo a especialista.

“Diversos artigos publicados tanto no Brasil, como em outros países, mostram que quando uma população apresenta um consumo satisfatório de cálcio e vitamina D, a incidência de osteoporose é menor quando comparada a grupos que apresentem ingestão inferior”, declara.

Em sua avaliação, a dieta média do brasileiro não supre as necessidades recomendadas, o que torna necessária uma mudança nos hábitos alimentares. Na infância e na adolescência, as orientações devem ser seguidas com um rigor ainda maior, pois, nesses períodos são formadas as reservas ósseas para a fase adulta e a velhice.

A prática de exercícios é igualmente recomendada. “A atividade física estimula a formação óssea”, afirma Pedro. Mesmo entre os idosos, o conselho se aplica, pois age na fragilidade dos ossos e na prevenção de quedas, uma vez que “melhora o equilíbrio e as reações de defesa e reflexo”.

Fonte: Uol – Bem Estar

Vida Longa

Publicado em 2 de setembro de 2012 | Deixar um comentário

Método ajuda a corrigir a postura, evitar quedas e garantir bem-estar físico e mental para quem chegou na “melhor idade”.

“Um jovem sem flexibilidade é um velho; um velho com flexibilidade é um jovem”. A frase do idealizador do método, Joseph Pilates, descreve muito bem a essência da prática e o que ela pode fazer para quem chegou à terceira idade- inclusive para aqueles que usaram e abusaram de hábitos nada saudáveis ao longo da vida. “Entretanto, é fundamental que seja realizada uma avaliação constituída de anamnese e exame físico para diagnosticar necessidades específicas. Usualmente, o resultado do exame de densintometria óssea pode indicar se há risco de fraturas no caso da osteoporose, por exemplo”, esclarece Elaine de Markondes, médica, fisioterapeuta e presidente do DeMarkondes Pilates (centro de excelência em formação de instrutores no método Pilates), de Curitiba (PR).
Para a fisioterapeuta Munique Papaleo, que é instrutora do método e diretora técnica do ArtPilates Studio, no Rio de Janeiro (RJ), desde que bem conduzido, o Pilates pode ajudar em todos os desequilíbrios posturais e alterações sofridas pelo corpo com o passar do tempo. “O método pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e feliz. Uma das grandes vantagens do pilates é o fato de proporcionar o ganho de amplitude articular por meio do equilíbrio entre fortalecimento e flexibilidade dos músculos. Assim, ao exercitar os músculos que envolvem as articulações, é possível diminuir a pressão sobre elas e aliviar as dores. O praticante passa a mobilizar suas articulaçãoes com mais eficiência e menos desgaste, recuperando movimentos que já não era mais capaz de realizar”, comenta a fisioterapeuta.

Alunos experientes

Na terceira idade, a prática do pilates não precisa ser necessariamente individual, mas é importante que o instrutor possa dar atenção especial ao aluno. “O atendimento deve ser dividido por grupos homogêneos, com praticantes com as mesmas necessidades”, sugere Elaine.
Os resultados podem ser percebidos logo no início. “Nas primeiras aulas, o praticamente já relata alívio de dores e, a partir da décima aula, percebe melhoras na postura e na organização corporal, evoluindo para o ganho de força e flexibilidade”, avalia Munique.

Programa personalizado

De acordo com Elaine de Markondes, a série ideal para idosos deve exercitar todos os planos do corpo e os diferentes decúbitos, propondo posicionamentos variados durante o atendimento. “Os exercícios realizados em posição vertical (em pé) são indispensáveis, pois treinam e educam o equilíbrio e a coordenação. Os movimentos que estimulam a instabilidade do corpo como aqueles realizados em superfícies instáveis, devem ser feitos sempre com bom apoio do instrutor e são importantes para educação da coordenação e do equilíbrio”, sugere.

Indicação médica

Segundo Munique Papaleo, cerca de 20% dos seus alunos que pertencem ao grupo da terceira idade ingressaram no pilates por recomendação médica. “Os médicos entendem que a  técnica prioriza a qualidade, ou seja, com poucas repetições dos exercícios não há sobrecarga ou fadiga aos músculos e as articulações”, explica.

Benefícios importantes para idosos

  • Ajuda no alinhamento postural
  • Melhora o equilíbrio e evita quedas
  • Contribui para o fortalecimento muscular
  • Aumenta a flexibilidade
  • Estimula a reeducação respiratória
  • Previne e ajuda no tratamento de patologias como osteoporose e degeneração articulares
  • Ameniza o estresse, ansiedade e depressão
  • Ajuda a elevar a autoestima

Fonte: Revista O Grande Guia de Pilates e Bem-Estar
Ano 1, nº1 – 2012

Pilates é isso (menos, menos)

Publicado em 1 de setembro de 2012 | Deixar um comentário

Dor nas costas, barriga, sedentarismo? Seus problemas acabaram: faça pilates.

A propaganda do método desenvolvido pelo alemão Joseph Pilates (1883-1967) não é tão explícita assim, mas o pacote de benefícios colou no imaginário popular.
O sucesso é explicado por uma feliz combinação de fatores, a começar pelas qualidades da técnica. O pilates tem uma gama enorme de exercícios, adaptáveis a diversas condições físicas e objetos, que organizam a postura e servem tanto para reabilitação quanto para a conquista de boa forma.
As qualidades foram incensadas por bonitos e famosos, atraindo investidores do mercado da malhação.
“No início da onda [do pilates], os equipamentos eram muito caros, então as empresas entraram com um marketing pesado para reforçar as vendas. Virou moda e se expandiu numa quantidade absurda”, diz o fisioterapeuta Leonardo Machado.
A moda não passou: iniciada há mais de dez anos, a curva de crescimento continua.
Segundo Léo Yamada, sócio do Grupo Metalife, que oferece aparelhos, consultoria e cursos de pilates, o negócio cresce 20% ao ano. “Nosso grupo, que abastece até 30% do mercado, está vendendo 5.000 anos, o número de vendas girava em torno de 1.500, segundo ele.
A demanda também cresceu porque ficou fácil montar estúdio de pilates. “Com uma área pequena e investimento a partir de R$35 mil, a pessoa consegue começar seu negócio”, afirma Yamada.
Com o crescimento rápido, vieram os efeitos colaterais. “Os estabelecimentos precisam de professores para começar ontem e os profissionais têm que estar prontos amanhã para trabalhar. “Aí surge formação por vídeo, curso de final de semana…”, diz Alice Becker, pioneira na formação de instrutores no Brasil e uma das criadoras da Aliança Brasileira de Pilates.
No Brasil, a profissão não é regulamentada, mas há padrões internacionais que servem para checar a qualificação do professor: ele deve ter feito um curso de 400 a 450 horas, incluindo aulas práticas com os aparelhos principais: trapézio, “reformer”, cadeira e barril. Para saber, só perguntando ao professor onde ele se formou e se informando sobre a escola.

Público de Risco

A formação deficiente é a primeira sombra no cenário maravilhoso atribuído ao método. “Todo mundo quer fazer achando que é indicado para tudo, sem avaliação, sem profissional habilitado. Esse pilates malfeito vai acabar queimando o filme do bom pilates”, teme a fisioterapeuta Janaína Cintas, que tem especialização no método e em outras técnicas.

Por enquanto, o potencial do pilates faz o público apostar em suas vantagens. “O método é tão consistente que até quem não tem boa especialização faz algum sucesso, mantém seus alunos. Mas isso pode causar problemas”, diz Alexandre Ohl, coordenador de pós-graduação em pilates na Unip (Universidade Paulista) e professor da Bodytech de São Paulo.
O risco aumenta porque justamente a população com problemas (dor na coluna, osteoporose, sedentária) é a mais atraída pelo método, que tem sido usado e indicado para tratar a saúde.
A advogada Luciana Serra Azul Guimarães, 38, estava havia cinco anos parada, com dores lombares.
“Estava certa de que o pilates era a opção ideal para mim”, conta.
No primeiro estúdio em que foi, fez uma aula experimental e só não começou a prática por falta de horários. Sorte dela: uma avaliação com fisioterapeuta identificou que seu problema seria agravado pelos exercícios de pilates.
“O método é utilizado para tratamentos de coluna, mas há casos em que pode aumentar a dor e agravar a lesão”, diz o ortopedista Bruno de Biase, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Só depois de tratar seu problema com outras técnicas, Luciana foi liberada para fazer pilates.
“A proposta do pilates é interessante, mas começaram a oferecer mais do que podem dar: faça pilates e você não vai ter mais dor nas costas, vai ganhar flexibilidade de um bailarino e o corpo não funcionam desse jeito”, diz o fisioterapeuta Leonardo Machado.

Folha de São Paulo. Data: 31/07/2012.
Autora: Iara Biderman

Link para a matéria: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/57697-pilates-e-isso-menos-menos.shtml